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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Falamos a mesma língua... mas não nos entendemos

Por João Palmeira



Nunca subestime o poder de uma palavra ou de uma ação gentil. - Jackson Brown Jr.
O grande desafio da comunicação eficaz, reside no fato de muitos de nós caminharmos para uma de três possíveis direções: Evitamos o confronto, ficando calados e entramos em nossas “cavernas”, falamos excessivamente, fazendo “looping” do assunto de forma exaustiva e agressiva ou buscamos de forma clara e civilizada encontrar uma solução.

Em cada uma das situações descritas acima, existem nossas histórias de vida nos influenciando.  Algumas pessoas acreditam que o outro sempre o estará acusando, se colocam em posição de vítima.  Outras pessoas, não desenvolvem a paciência necessária para esclarecer o que pensam, acreditam que fugir da discussão é o caminho. Existem aquelas que arranjam encrenca para tudo, nunca ficam bem, só melhoram depois de ter criado um clima ruim. E aqueles que buscam o equilíbrio, a compreensão e a “paz”.

Quando as emoções estão em alta, fica muito difícil ouvir com empatia e discernimento. Nestes momentos nossa fisiologia entra em ação, uma ebulição toma conta de nosso ser, então de maneira automática, somos levados ao silêncio ou discussão.  O problema dessa reação, é que o cérebro diante do desafio desvia o sangue de atividades que não considera essenciais, direcionando-os para os músculos, diminuindo a quantidade na área irrigada no cérebro onde tomamos decisões sensatas. Passamos a reagir em vez de agir com equilíbrio.

Os momentos em que esta reação acontece, podem ser vividos nas mais diferentes situações do dia a dia, eis alguns exemplos:

a) Quando temos pontos de vista antagônicos sobre um assunto delicado;
b) Quando falamos a um superior que tem comportamento reativo;
c) Quando lidamos com uma separação;
d) Quando falamos de resultados ruins sobre uma responsabilidade delegada;
e) Quando cobramos uma dívida;

A falta de compreensão afeta nossa vida pessoal e profissional, impactando não só no relacionamento mas também em nossa saúde, provocando um desequilíbrio em nossos sistemas metabólicos.  Grande parte das pessoas acredita que não precisa aprender, aperfeiçoar-se ou melhorar suas habilidades de comunicação.  Essas mesmas pessoas acreditam que o que já sabem lhe basta.

Falar sem rodeios e de maneira clara pode ajudar-nos a evitar interpretações erradas e a encontrar uma solução.  Alguns pontos que influenciam nossas emoções e por consequência nossos relacionamentos são:

Sorria:  Não fere, não paga impostos e ajuda criar um ambiente agradável e simpático, além de movimentar vários músculos da face, influenciando de maneira benéfica o tônus muscular.

Evite criticar: Principalmente se as emoções estiverem em alta, nestes momentos a capacidade auditiva parece diminuir sensivelmente, levando a “surdez” temporária.

Elogie: Nada melhor para o ser humano do que receber reconhecimento por seus feitos, mesmo que para você o elogio  pareça simples.

Conecte-se: Interaja com as pessoas que gosta, usufrua do convívio, ame sem “frescura”. Perdoe sempre que possível, 70 x 7 é o conselho encontrado nas escrituras.

Mantenha o bom humor: O humor diminui a distância entre as pessoas, além de criar um ambiente ideal para o desenvolvimento de ideias criativas.

Qual o seu comportamento diante de um assunto difícil? Em qual das três direções citadas você se enquadra? Que resultados você tem conseguido? Existe algo a aprender ou melhorar?
Boa reflexão!


terça-feira, 21 de julho de 2015

O Poder da Comunicação

Por João Palmeira

Quando um líder conquista a confiança de seus liderados, o que ele pede soa como uma ordem, o que ele diz soa como regra. – João Palmeira

Durante os últimos 10 anos, eu tenho discutido em diferentes classes e com diferentes pessoas o poder da palavra.

  Algumas pessoas acreditam piamente, no poder da palavra, portanto, cuidam de falar sempre algo bom, mesmo quando a situação não é boa.

Michael Abrashoff, no livro “Este Barco Também é Seu”, conta que em 1996 quando havia riscos da China lançar mísseis sobre Taiwan, 02 grupos de batalha de porta-aviões foram enviados à região. Naquele momento, o secretário William Perry, foi questionado sobre a ação e respondeu: “Temos a melhor Marinha de guerra do mundo”.

Abrashoff, refletindo sobre essas palavras, decidiu que o barco que comandava o USS Benfold, se tornaria o melhor da frota. Passou a orientar aos seus comandados, que dali em diante recebessem os visitantes à bordo sorrindo e lhes dissessem:

- Bem vindo ao melhor navio de guerra da Marinha!

Quando ficavam ao lado de outro navio, ligavam o sistema de alto-falantes e transmitiam uma saudação do melhor navio de guerra da Marinha. Ele via esta saudação como algo sentimental, mesmo que não fosse naquele momento o melhor, certamente estava caminhando nessa direção. Tinham também um ditado no navio:
“O sol sempre brilha no Benfold”. As pessoas começaram a acreditar nisso.

Ao receber o comando do navio, o USS Benfold era considerado o pior navio da frota em prontidão para combate. A rotatividade era alta, o ambiente ruim e o ciclo de preparo para guerra, era demorado.

Em 18 meses de comando, o USS, Benfold saiu da condição de patinho feio, para ser reconhecido como o melhor navio da frota, sendo agraciado com o Troféu Spokane.

A liderança exige uma comunicação sem ruídos. Devemos comunicar com clareza nossa intenção e nossos objetivos, de forma que qualquer um em nossa equipe possa ser interpelado, e esteja pronto para responder com prontidão e clareza para onde estamos indo, o que é esperado dele e quais são as metas e objetivos da organização. O processo de comunicação é uma habilidade, podemos desenvolvê-la com a prática.  O escritor e amigo, Reinaldo Passadori em seu livro: Comunicação Essencial, sugere algumas premissas fundamentais relacionadas a comunicação verbal, são elas:

·         Não somos valorizados pelo que sabemos, mas pelo que fazemos com o que sabemos.
·         Ninguém nasceu sabendo falar, muito menos fazendo discursos maravilhosos ou palestras e aulas extraordinárias. Isso se aprende.
·   Destaca-se em um grupo não necessariamente quem sabe mais, mas aquele que se comunica melhor.
·         Nosso sistema educacional não previlegia o desenvolvimento da habilidade da comunicação verbal nem simples leituras teatralizadas, muito menos técnicas mais sofisticadas, tais como exercícios de empatia, retórica ou eloquencia.
·   Todas as pessoas podem aprender técnicas e desenvolver habilidades de comunicação verbal sem, necessariamente, ter um dom especial para isso.
·         A efetiva comunicação pressupõe um ato de consideração para com o outro.
·         Do mesmo modo que filtramos e interpretamos tudo o que nos chega por meio dos sentidos, também as outras pessoas fazem isso.  A consciência desse mechanism aumenta a responsabilidade de quem deseja, de fato, comunicar-se.
·   No mundo dos negócios e das organizações, procuram-se profissionais cada vez mais completos e capazes.  Uma das principais competências exigidas é a de se comunicar bem com outras pessoas.
·    Dois apectos são fundamentais no processo de comunicação: o primeito é o que falar e o segundo  é como falar. De nada adianta possuir um rico conteúdo, mas expressá-lo de forma inadequada. O contrário também é verdadeiro.

Na última década tenho discutido com alunos, participantes de cursos e amigos, os desafios da comunicação.  Não é dada a devida importância a essa habilidade, mas ao mesmo tempo as interações exigem cada vez maior expertise neste processo. 

As escolas nos ensinam a ler e a escrever, no entanto, deveriam  nos ensinar a falar e a escutar com o mesmo empenho.

A comunicação no seu ambiente de trabalho tem sido clara e assertiva? Você se certifica de que as pessoas entenderam, quando você procura transmitir uma mensagem? De que maneira você acredita que é visto por seus liderados? Você é um líder, ou está sendo apenas um outro chefe?  Você acredita no que diz? Você vive o que prega?

Boa reflexão!